Moradores de Alter do Chão propõem ‘fossas de bananeiras’ em banheiros

Ideia é construir as fossas no banheiro público da vila balneária. Água suja despejada seria evaporada pelas folhas das plantas.

Moradores, o Conselho Comunitário e organizações civis de Alter do Chão se uniram para criar e apresentar um projeto de fossas ecológicas ao poder público de Santarém, oeste do Pará. A inciativa se deu após a descoberta de coliformes fecais em alguns pontos da água e casos de hepatite A na vila balneária.

Denominado de fossa de bananeiras, o equipamento seria construído nos banheiros públicos da Praça 7 de Setembro, na orla de Alter do Chão, para atender a demanda de turistas e moradores que utilizam o local. A fossa seria formada por um tanque de vapotranspiração (TEvap), em um canteiro lacrado pelos quatro lados (paredes e fundo) com um tubo de forma de pirâmide, feito de tijolos furados. Por cima, as árvores seriam plantadas sobre camadas de materiais porosos, cascas de coco que servirão como âncora para raízes das plantas, e mais 20 cm de terra preta (veja imagem ao lado). Dessa forma, a descarga dos banheiros despejaria a água suja dentro do tubo vedado e as bananeiras sugariam o líquido que evaporaria pelas folhas.

Esse sistema de fossas utilizando o tanque de Vapotranspiração surgiu nos Estados Unidos e é utilizado em vários locais do Brasil e em outros países. A ideia foi apresentada, inclusive, pelo arquiteto Marcelo Rosenbaum no quadro “Lar Doce Lar”, do programa Caldeirão do Huck, em julho de 2010. Na ocasião, a equipe de reforma instalou as fossas de bananeiras para o tratamento da água na casa da família Silva, de Belford Roxo (RJ).

De acordo com Indios Brasil, um dos moradores que organizou o projeto, as fossas já são uma realidade em pelo menos sete casas em Alter do Chão. Ele explica que a ideia já foi apresentada ao governo municipal e ao Ministério Público (MP) e pede o apoio para que o sistema possa ser construído. “A gente sabe que existem muitos problemas a serem resolvidos na vila, mas acreditamos que as fossas ecológicas podem ser um começo. Na orla, as fossas acabam entupindo, sobretudo no período de enchente, e poluem os lençóis freáticos. Hoje em dia, a fossa do banheiro está lotada e precisa de reformas, então criamos esse projeto e entregamos nas mãos dos Secretários de Infraestrutura e Meio Ambiente, além do MP. Temos pessoas qualificadas para fazer esses sistemas e queremos que o poder público seja nosso parceiro nessa iniciativa que surgiu da comunidade”, explica.

O projeto compreende a construção de duas fossas em frente aos banheiros públicos. Uma teria dois metros de profundidade, dois metros de largura e sete de comprimento. A segunda seria menor, com as mesmas medições de profundidade e largura, mas seis metros de comprimento. A ideia seria que a fossa pudesse atender o fluxo de 70 pessoas por dia. O objetivo dos criadores do projeto é de que a própria população da vila formasse um mutirão para ajudar nas obras, que deveriam ser concluídas em apenas dez dias. O orçamento é um pouco mais de R$ 4.500 para a compra dos materiais utilizados, e R$ 760 para o aluguel da retroescavadeira e o pagamento de alimentação para os trabalhadores.

O secretário municipal de Infraestrutura de Santarém, Edilson Pimentel, confirma que assistiu à apresentação do projeto, mas espera uma reunião com os criadores da ideia para discutirem a viabilidade da construção e utilização das fossas de bananeiras. “Nós tivemos uma reunião na Câmara onde foi feita uma apresentação desse projeto, mas foram as únicas informações que tive até o momento. Tenho alguns questionamentos sobre o assunto e marquei com o representante do projeto para que pudéssemos reunir e analisar mais profundamente e tecnicamente essa ideia”.

Na sexta-feira passada (6), os moradores aproveitaram o aniversário da vila balneária para apresentar o projeto aos comunitários e turistas. Além das fossas, o projeto também compreende a implantação de um mural na orla de Alter do Chão, explicando o passo a passo da construção do equipamento ecológico. “A ideia é ir além do banheiro público de Alter do Chão, queremos mostrar que é fácil, simples e economicamente viável para as pessoas fazerem. Então criando um informativo na praça, geraríamos informação para que a comunidade possa aderir a esse movimento”, conclui o morador Indios Brasil.

Serviço de limpeza de fossa

Fonte: G1

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